sábado, 3 de outubro de 2009
A obstinação de MMG
A Minha Leitura sobre MANUELA M.GUEDES - (José Niza)Fui director de programas da RTP e depois seu administrador. Egaranto-vos que, se alguma vez algum apresentador ou jornalista desseuma entrevista a chamar-me "estúpido", a primeira coisa queaconteceria seria o cancelamento imediato do seu programa,independentemente de haver ou não eleições em curso.Por isso me parece incompreensível que, embora rios de tinta já setenham escrito sobre o cancelamento do jornal nacional que ManuelaMoura Guedes (MMG) apresentava na TVI, todos os analistas ecomentadores tenham ignorado a explosiva e provocatória entrevista queMMG deu ao Diário de Notícias dias antes de a administração da TVI lheter acabado com o programa.Em meu entender essa entrevista, realizada com antecedência para serpublicada no dia do regresso de MMG com o seu jornal nacional, foi agota de água que precipitou a decisão da TVI. É que, o seu conteúdo,de tão explosivo e provocatório que era, começou a ser divulgado diasantes. E se chegou ao meu conhecimento, mais cedo terá chegado àadministração da TVI.Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, aspalavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre queMMG se refere à administração.É um documento que merece ser analisado, não somente do ângulojornalístico, mas sobretudo do ponto de vista comportamental. É umaentrevista de uma pessoa claramente perturbada, convicta de que é amaior ("Eu sou a Manuela Moura Guedes"!) e que se sente perseguida portoda a gente. (Em psiquiatria esse tipo de fenómenos são conhecidospor "ideias delirantes", de grandeza ou de perseguição).MMG diz-se perseguida pela administração da TVI; afirma que osaccionistas da PRISA são "ignorantes"; considera-se "um alvo aabater"; acusa José Alberto de Carvalho, José Rodrigues dos Santos eJudite de Sousa de fazerem "fretes ao governo" e de serem "cobardes";acusa o Sindicato dos Jornalistas de pessoas que "nunca fizeram aponta de um corno na vida"; diz que o programa da RTP 2, Clube deJornalistas, é uma "porcaria"; provoca a ERC (Entidade Reguladora daComunicação Social); arrasa Miguel Sousa Tavares e Pacheco Pereira,etc.E quando o entrevistador lhe pergunta se um pivô de telejornal nãodeve ser "imparcial", "equidistante", "ponderado", ela responde:"Então metam lá uma boneca insuflável"!Como é que a uma pessoa que assim "pensa" e assim se comporta, podeser dado tempo de antena em qualquer televisão minimamenteresponsável?Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer - e como sublinhouMário Soares - esta questão não tem nada a ver com liberdade deimprensa ou com a falta dela. Trata-se, simplesmente, de um acto e deuma imperativa decisão administrativa, e de bom senso democrático.Como é que alguém, ou algum programa, a coberto da liberdade deimprensa, pode impunemente acusar, sem provas, pessoas inocentes? Éque a liberdade de imprensa não é um valor absoluto, tem os seuslimites, implica também responsabilidades. E quando se pisa esserisco, está tudo caldeirado. Há, no entanto, uma coisa que falta: umaexplicação totalmente clara e convincente por parte da administraçãoda TVI, que ainda não foi dada.Vale também a pena considerar os posicionamentos político-partidáriosde MMG e do seu marido.J. E. Moniz tem, desde Mário Soares, um ódio visceral ao PS. Sei doque falo. MMG foi deputada do CDS na AR.Até aqui, nada deespecialmente especial.O que já não está bem - e é criminoso - é que ambos se sirvam de umtelejornal para impunemente acusarem pessoas inocentes, sem quaisquerprovas, instilando insinuações e induzindo suspeições.Ainda mais reles é o miserável aproveitamento partidário que, acomeçar no PSD e em M. F. Leite, e a acabar em Louçã e no BE, está aser feito. Estes líderes políticos, tal como Paulo Portas e Jerónimode Sousa, sabem muito bem, que nem Sócrates nem o governo tiveramqualquer influência no caso TVI. Eles sabem isto. Mas Salazar dizia:"O que parece, é"!E eles aprenderam.- 1984. Eu era, então, administrador da RTP. Um dia a minha secretáriadisse-me que uma das apresentadoras tinha urgência em falar comigo: -"Venho pedir-lhe se me deixa ir para a informação, quero serjornalista"! Perguntei-lhe se tinha algum curso de jornalismo. Nãotinha. Perguntei-lhe se, ao menos, tinha alguma experiênciajornalística, num jornal, numa rádio... Não tinha. "O que eu quero éser jornalista"! Percebi que estava perante uma pessoa tão determinadaquanto ignorante. E disse-lhe: "Vá falar com o director de informação;se ele a aceitar, eu passo-lhe a guia de marcha e deixo-a ir". Amagricelas conseguiu. Dias depois, na primeira entrevista que fez - nocaso, ao presidente do Sporting, João Rocha - a peixeirada foi tãogrande que ficou de castigo e sem microfone uma data de tempo.P.S.A jovem apresentadora chamava-se Manuela Moura Guedes.E se eu soubesse o que sei hoje...
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